O dia do voto se aproxima e a temperatura da campanha se eleva a cada dia. Os embates acontecem quase sempre entre a presidenta/candidata Dilma Rousseff (PT) e a candidata do PSB, Marina Silva, sobretudo depois que ela começou a aparecer nas pesquisas com uma intenção de voto que a coloca no mesmo patamar que a lulopetista. Aécio Neves, o presidenciável do PSDB, que antes de Marina ser confirmada candidata, era o outro lado da polarização, agora fica em uma terceira e mais remota ponta, fruto de sua queda de intenções de voto.
Agora, o mais comum é que Marina e Aécio façam quase o mesmo discurso contra o desempenho da administração de Dilma, notadamente na área econômica. Claro que Aécio deixa sobrar sempre uma ironia contra Marina, que quase nunca responde, pois depende dos dois o segundo turno. Nos últimos dias, porém, a lulopetista Dilma, talvez baleada com as denúncias do caso Petrobras (relevadas pelo ex-diretor Paulo Roberto Costa), tem carregado mais questionamentos e ataques em cima de Marina Silva.
O último confronto aconteceu em torno do tipo de gerência do Banco Central, que tem sido responsável, com sua política de juros, pelo controle da inflação. Tema que já produziu um discurso de substituição da atual equipe econômica em caso de um segundo governo Dilma. A fogueira aumentou quando Marina defendeu, em seu plano de governo, a autonomia legal ao Banco Central. Às críticas ao modelo, desferidas pela lulopetista, de que a sócio-ambientalista daria “mais poder aos bancos” e que ela (Dilma) iria para baixar os juros, Marina Silva retrucou que nunca os banqueiros ganharam tanto como no governo Dilma. E agora, eles que fizeram o ‘bolsa empresário’, o ‘bolsa banqueiro’, a ‘bolsa juros altos’, “estão querendo nos acusar de forma injusta em seus programas eleitorais”.
Dilma foi à tréplica e fez uma dura provocação à Marina, afirmando que não “é apoiada nem sustentada por banqueiros. Não adianta querer falar que eu fiz bolsa banqueiro. Eu não tenho banqueiro me apoiando. Eu não tenho banqueiro, você entende, me sustentando”, disse Dilma no seu jeito pendular. Evidente que presidenta/candidata fazia referência direta a uma das coordenadoras do programa de Marina, Maria Alice Setúbal (Neca, como é mais conhecida), uma das principais interlocutoras da presidenciável, que é herdeira do banco Itaú.

